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COLUMBÓFILIA

PÁGINA DE JOSÉ CARLOS ALMEIDA ROSA, DEDICADA À COLUMBÓFILIA !!! PROMOÇÃO E DIVULGAÇÃO DO DESPORTO COLUMBÓFILO !!!

COLUMBÓFILIA

PÁGINA DE JOSÉ CARLOS ALMEIDA ROSA, DEDICADA À COLUMBÓFILIA !!! PROMOÇÃO E DIVULGAÇÃO DO DESPORTO COLUMBÓFILO !!!

José Peseiro (Mira 2016)

José Peseiro : “São eventos como este que permitem ter visibilidade e que mostram a ‘força’ da columbofilia portuguesa”

A paixão pelos pombos-correio atravessa gerações, cria laços de amizade, aumenta o nível da competição, entre vários aspetos que poderíamos enumerar. Outra das particularidades da columbofilia reside no facto de ser praticada por pessoas de todas as áreas profissionais. Na reta final dos preparativos para os Campeonatos Internacionais de Mira 2016, a FPC foi conversar com o atual técnico do Sporting Clube de Braga (SCB), José Peseiro, um amante da columbofilia e que esteve em Mira, a assistir “ao vivo” aos Campeonatos, no ano de 2011.

Nascido em Coruche, no distrito de Santarém ,a 4 de abril de 1960, José Vítor dos Santos Peseiro, cedo começou a ganhar o gosto pelos pombos. Ribatejano, como se costuma dizer “de gema”, foi no Grupo Columbófilo Vontade, uma coletividade de Coruche, filiada na Associação Columbófila do Distrito de Santarém ( ACD Santarém) que começou a competir, fazendo sociedade com o seu irmão, Carlos Peseiro, e com um amigo de infância, José Manuel Carvalho.

O que o levou a tornar-se columbófilo?

José Peseiro (JP) – Quando era miúdo tinha na minha vizinhança dois columbófilos. Um costumava ser o vencedor “normal” nas provas de Coruche, esse senhor tinha um sobrinho, que era meu amigo de infância e nós os dois íamos ao pombal dele. Começámos a gostar de ver os pombos-correio, o seu tratamento e toda esta paixão começou aí. O facto de gostar de animais também ajuda. A primeira vez que me disseram que os pombos eram transportados em caixas para longe e que, depois de serem soltos, vinham ter ao seu pombal, foi algo que para nós, muito jovens na altura, nos deixou estupefactos e, ao mesmo tempo, despertou uma curiosidade grande. Ficámos a admirar o pombo-correio, que é um animal, na minha opinião, com uma beleza única. Depois, com 17, 18 anos, em parceria com esse amigo [ José Manuel Carvalho] , fizemos um pombal, junto à casa dos meus avós. Fomos sócios de competição durante muitos anos, mas entretanto tive de parar, contudo, em princípio, vou regressar no próximo ano.

Quer revelar mais alguns pormenores sobre esse regresso?

JP- O objetivo é voltar a competir. Antes já fazíamos isso, porque eu participava nas provas em sociedade, e até tínhamos alguns resultados ao nível do distrito. A minha vida profissional e académica “levou-me” para longe de Coruche. Saí de lá com 20 anos e, desde essa altura, só regresso esporadicamente, sempre que posso, sobretudo para visitar a família. Como passava muito tempo fora, ficou o meu sócio a tratar de tudo, mas com o tempo deixámos de ter condições para manter, mesmo assim ainda fomos aguentando alguns anos, também com ajuda do meu irmão, Carlos Peseiro, mas chegou a um ponto em que tivemos de parar. Não me era possível estar no pombal, nem ver os pombos-correio e isso era o que mais gostava, portanto tivemos de terminar. Apesar disso, a columbofilia continua a ser um dos meus hobbys favoritos. É um bom “vício”. Neste momento estamos a construir um novo pombal em Coruche, num terreno da minha família. Já vai ter instalações modernas, para depois começarmos a “voar a sério” e a desfrutar da competição. Vou continuar a ter o meu antigo companheiro de equipa, o José Manuel e o meu irmão, a ajudarem-me novamente, mas vou tentar estar mais vezes presente, desde que a vida profissional me possibilite. Também estamos a contar receber alguns borrachos (pombos anilhados pela primeira vez em 2016), e para o ano já esperamos estar a concorrer.

Ao longo da sua carreira profissional passou por diversos países: Espanha, Grécia, Roménia, Arábia Saudita e Egipto. Durante esse percurso teve algum contacto com columbófilos ou com a columbofilia praticada nestes países? Nos clubes por onde passou, continuava a estar em contacto com a columbofilia?

JP- Passei por vários países e por lugares muito variados, mas este gosto sempre se foi mantendo. Tentava arranjar, próximo da cidade de cada clube que treinei, um pombal para assistir às chegadas. Lembro-me de ver em Espanha, na Grécia, na Roménia e, claro na Madeira, as famosas soltas em alto-mar, no Porto, entre outras. Onde eu vou costumo tentar visitar columbófilos, ver concursos, mas é só isso. Eram sempre pessoas, columbófilos, sem qualquer ligação ao futebol.

Dá para conciliar a sua atividade profissional, é treinador de futebol, com a prática da columbofilia?

JP- Chegou a um ponto em que se tornou impossível conciliar as duas. O ser treinador de futebol e ser professor, primeiro do ensino secundário e depois do universitário, limitou-me muito a atividade columbófila. Os jogos e os estágios coincidem quase sempre com as soltas, por exemplo, e, claro, o desfrutar do dia-a-dia com os pombos-correio é impossível, não há tempo para o treino, para acompanhar o desenvolvimento deles, a alimentação. Qualquer columbófilo gosta disto, mas eu deixei de conseguir ter tempo para tal. Já há alguns anos que não tinha possibilidade para isso, nem eu, nem os meus dois sócios devido a questões profissionais, felizmente agora as condições para voltarmos a competir estão a reunir-se.

 Curiosamente (ou talvez não) outras grandes figuras ligadas ao futebol português (José Torres, Chalana, Bento…) sentiram sempre uma enorme paixão pelos pombos-correio e pela columbofilia. Consegue apontar alguma razão para tal?

JP – Todos nós, na nossa vida profissional, seja ela mais stressante com maior ou menor pressão, temos algumas atividades fora do mundo de futebol das quais gostamos. Conheço a ligação dessas e de outras personalidades ligadas à columbofilia, mas poderia acrescentar mais. Acho que pode estar relacionado com facto de termos tomado contacto com a modalidade muito cedo. Eu, antes de ser treinador de futebol, já gostava de columbofilia. Quando era mais novo fui jogador de futebol e gostava da prática columbófila. Este fascínio pelo pombo-correio é que nos levou a ter esta paixão. Um dos sonhos que tinha, quando era criança, a título de curiosidade, era seguir o voo dos pombos durante uma prova, para perceber como é que eles chegam aos seus pombais depois de serem soltos a centenas de quilómetros de casa. Acho que a razão tem a ver com o facto de termos entrado em contacto com a columbofilia muito cedo e com o fascínio que ganhámos pelo pombo.

Qual a especialidade (velocidade, meio-fundo ou fundo) que mais gosta? Porquê? 

JP – Todas elas. Gosto de velocidade porque se vêm chegar muitos pombos “em pouco tempo”, do fundo porque as provas se prolongam mais, o que aumenta a ansiedade na espera da chegada e deixa a adrenalina competitiva ao máximo. Aprecio o meio – fundo porque tem uma mistura das outras duas especialidades. Não consigo dizer qual é “ a minha favorita”, todas me agradam.

Quando olha para realidade da columbofilia em Portugal qual é, na sua opinião, a maior dificuldade neste momento?

JP- No atual contexto socioeconómico é um desporto que vai ficando caro. Há muitos columbófilos que gostariam de continuar, mas que, devido aos gastos necessários, acabam por terminar a sua atividade. Vejo isso em Coruche. Com a competitividade a aumentar, crescem também os investimentos, mas nem toda a gente tem a mesma capacidade financeira. Antes havia mais facilidade em ter pombos-correio, agora está tudo mais dispendioso para os columbófilos.

O pombo-correio português é um pombo com qualidade?

JP- Sim. Evidentemente que muitos dos nossos pombos resultam do cruzamento de outras linhas europeias. Mas já temos as que são exclusivamente portuguesas e essas têm mostrado qualidade. Acho que o nosso pombo é conceituado e começa a ser reconhecido.

Qual é a sua opinião sobre a visibilidade mediática que é dada à columbofilia em Portugal?

 JP- É muito reduzida. Vejo, esporadicamente, nos jornais desportivos algumas notícias relacionadas com a columbofilia, mas é muito pouco. A não ser a própria comunicação especializada, há pouca informação nos meios de comunicação sobre a columbofilia e as suas atividades.

Este sábado decorrem em Mira, os Campeonatos Internacionais. Os columbódromos e os derbies, de forma geral, trouxeram uma nova perspetiva para a prática da columbofilia: colocaram em competição directa pombos provenientes de vários países dos diferentes Continentes. Esta situação criou alguma igualdade competitiva, pois é o mesmo pombal, o mesmo tipo de treino, a alimentação é semelhante, as linhas de voo também, entre outros aspetos. Qual é a sua opinião sobre esta vertente da columbofilia?

JP – Essas são competições em que, de facto, se colocam em igualdade todos os pombos-correio. Os motivos são os que referiste na pergunta, acaba por haver uma “democratização” nas provas, mas isso também retira uma parte importante à columbofilia, que é o tratamento individual que cada columbófilo gosta de dar aos seus pombos. Mas, sem dúvida, que a Federação está de parabéns por esta prova. Eu assisti em 2011 e vi a dinâmica da organização, observei a qualidade dos pombos, constatei um verdadeiro “espetáculo columbófilo”. Para além da competição há que enaltecer o convívio e a camaradagem entre todos os presentes. Já há mais concursos semelhantes no nosso país, o que só prova a nossa qualidade. São provas importantes, sem dúvida. Os vencedores ganham notoriedade a nível europeu e mundial, dão valor à sua colónia de pombos-correio e acabam por ter algum retorno financeiro.

A Federação Portuguesa de Columbofilia tem feito uma aposta na organização de grandes eventos internacionais no âmbito da columbofilia: as Olimpíadas, os Campeonatos da Europa, os Campeonatos do Mundo, Gand Prixs a contar para o Mundial Ranking, entre outras provas.Estas iniciativas, na sua opinião, ajudam a promover a columbofilia portuguesa? Porquê?

JP- Ajudam, sem dúvida. O nosso país já é uma referência a nível internacional na organização de grandes eventos columbófilos. A Federação Portuguesa de Columbofilia ajudou a que Portugal ganhasse esse estatuto, mas não só, todos os columbófilos, clubes, associações e, claro, os nossos pombos – correio deram contributos cruciais para termos este estatuto nos dias de hoje. Se hoje fazemos estas provas em território português é porque temos condições para tal e porque a Federação Columbófila Internacional sente que temos a capacidade necessária para organizar esse tipo de eventos. Isto é sinal que somos bons e fazemos eventos com muita qualidade.

 

Este ano, devido a compromissos profissionais, porque vai estar em estágio no Algarve com o Sporting de Braga, não vai poder estar, no próximo dia 9 de Julho em Mira, no entanto, sei que já acompanhou presencialmente os Campeonatos Internacionais. Que opinião tem deste evento?

JP – Eu gostava muito de ir assistir. Sempre que não estive em Mira foi por compromissos profissionais. A minha vida tem sido feita muito fora de Portugal, nos últimos 16, 17 anos da minha carreira treinei mais tempo fora do nosso país, algo que não me tem possibilitado ir aos Campeonatos. Como referi aprecio muito esse evento, revejo sempre amigos e vejo chegar pombos-correio, o que é uma “boa mistura”. Para o futuro espero assistir a mais alguns concursos, até para ver, quem sabe, os ”meus” pombos em competição.

 No dia da prova, apesar de estar em estágio, vai tentar acompanhar as notícias sobre o que está acontecer em Mira?

JP – Sim, neste momento através da internet é tudo mais fácil. Há o site da Federação, o blog de notícias, o site dos Campeonatos de Mira e depois, como complemento, existem os outros meios de comunicação que também irão dar cobertura ao evento. Para descontrair, porque também é necessário fazer isso, irei ver algumas notícias, sim. A columbofilia é uma das atividades que eu aprecio, que me ajuda a relaxar um pouco, gosto, como é óbvio, de ver quem ganha e espero que, daqui a um ano, dois ou três possa ter pombos meus a conseguir ganhar.

 Que mensagem gostaria de deixar aos columbófilos portugueses?

JP – É um momento único de confraternização. Tão importante como ver as chegadas dos pombos é o convívio entre columbófilos. Mira proporciona também a interação entre os praticantes da modalidade e os não praticantes, mas admiradores da columbofilia. Quanto mais pessoas estiverem presentes melhor. É incrível ver chegar centenas de pombos e, com a tecnologia que já dispõem em Mira, ver, em tempo real qual foi o primeiro pombo a chegar. Há emoção. São eventos como este que permitem ter visibilidade e que mostram a “força” da columbofilia portuguesa. Gostava de convidar não só os columbófilos, mas todos os interessados pelo pombo-correio a assistirem aos Campeonatos Internacionais, quem acompanhar não se vai arrepender.